Você que comanda uma empresa já ousou registrar “pandemia” no quadrante de “ameaças” de uma análise PFOA (Pontos Fortes, Fracos, Ameaças e Oportunidades) durante a construção do plano de negócios? Até a chegada da pandemia, com o mercado em ritmo de retomada, isso sequer passou pela mente dos executivos mais brilhantes.
Como resultado desse pano de fundo, a impressão é que por mais que uma empresa esteja consolidada no mercado, uma boa parte dos executivos se vê em algumas situações inusitadas hoje enfrentadas por startups.
Quem, por exemplo, poderia prever que um ícone do setor de coworking, teria problemas financeiros causados por uma interrupção abrupta, sem data prevista para uma retomada? Ou que as companhias aéreas que tinham problemas para atender a uma alta demanda de passageiros sofreriam prejuízos bilionários, levando a demissões sem precedentes?
Pelo lado positivo, tudo ficou mais acelerado. Bom para os negócios de tecnologia. As health techs mostraram a que vieram, principalmente na guerra contra a COVID-19. O homework virou padrão e trabalhar nos escritórios tornou-se opção. O setor de Agro ganhou os holofotes merecidos. Mas, afinal de contas, como fica a cabeça do gestor em meio ao tornado que atingiu o mundo inteiro?
Pensar em planejamentos de médio e longo prazos é necessário, porém, na prática, prudente mesmo é pensar no curto prazo, num trimestre muito bem mensurável. O desafio é enxergar um novo mundo, sem sair desse atual. De repente tudo o que queremos é ser “adaptáveis”, flexíveis, mas sem perder a resiliência.
Durante a revisão do plano de negócios trimestral, naquele quadrante de “oportunidades” não poderá faltar uma boa visão sobre a “Economia do Baixo Contato”. Um nome um tanto estranho para algo que tem grande potencial de crescimento, certo? Vamos nos preocupar com interações que exigem menos proximidade, medidas mais restritivas de saúde e segurança, novos comportamentos humanos e mudança na indústria.
Olhando por este ângulo, as oportunidades são bem interessantes e amplas: Migração virtual; Empresas localmente distribuídas; Ferramentas privadas de diagnóstico remoto; Bem-estar em casa / telemedicina; Otimização do comércio eletrônico e Aluguel de equipamentos em casa, entre outros.
Podemos olhar mais à frente ou bem lá na frente, mas nunca esqueceremos que a visão estratégica e operacional terá como caminho crítico um bom diagnóstico do cenário atual, uma reflexão severa sobre o real DNA do negócio para o que precisa ser desapegado do legado presente e as quebras de paradigmas e inovação para que as oportunidades se tornem realidade já. Mais do que isso, enxergar a viabilidade em ajustes nos processos de negócios. Sem isso, tudo ficará na esfera das hipóteses, sem resultados concretos.
Daniel Assis
Presidente de Proudfoot Brasil