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Gerenciando riscos na cadeia de suprimentos: estratégias para garantir a resiliência e a continuidade dos negócios

Gerenciando riscos na cadeia de suprimentos: estratégias para garantir a resiliência e a continuidade dos negócios

O horizonte da cadeia de suprimentos global permanece cheio de desafios, internos e externos, para indústrias e parceiros logísticos. Com o cenário de tensões geopolíticas e a escassez de determinados insumos críticos para a continuidade de centenas de milhares de players em todo o mundo, é preciso pensar em estratégias para garantir a resiliência e a continuidade dos negócios.

Há uma série de estudos e previsões a respeito dos anos de 2023 e 2024, que vislumbram uma retomada de diversos setores e cadeias de abastecimento e distribuição. A expectativa de normalidade no setor de semicondutores, por exemplo, embora factível, ainda é vista com ceticismo por alguns líderes de mercado que foram amplamente afetados, como a indústria automotiva, de bens de consumo, energética e aeronáutica.

Além dos efeitos em setores específicos, o próprio cenário geopolítico ainda promove riscos e incertezas que afetam diretamente a eficiência operacional das organizações. Fala-se em um momento de policrise, ou seja, de múltiplos riscos e crises simultâneas, envolvendo conflitos como a Guerra na Ucrânia – com seu terrível custo humano e implicações para a supply chain –, além do choque inflacionário com estresse financeiro e instabilidade política. Com isso, houve o aumento de custos generalizados, novas tarifas alfandegárias, regulamentações e restrições comerciais às nações envolvidas nas tensões geopolíticas, o que tem pressionado o mercado a buscar otimizações, eficiência nas operações e ajustes em suas relações com parceiros.

Nesses 25 anos de carreira, uma década junto à maior líder global em consultoria de gestão operacional, reconhecida pela Forbes como uma das “Melhores Empresas de Consultoria de Gestão da América” em 2021, 2022 e 2023, aprendi que existem muitas alternativas para cenários de crise. Contudo, três delas são essenciais para quem quer prosperar: o mapeamento e a avaliação de riscos, a diversificação de fornecedores e o fomento de parcerias estratégicas.

O atual cenário de riscos às cadeias de suprimentos e abastecimentos precisa ser mapeado pelas indústrias, cada qual olhando de maneira holística para o seu próprio setor. Os executivos têm de compreender os desafios potenciais aos seus negócios e tê-los mapeados, bem como os pontos de atrito e aceleração, forças e fraquezas de suas organizações. Quem não sabe reconhecer tais aspectos em seu próprio negócio corre sérios riscos e pode acabar fora do jogo.

Além disso, depender de uma lista muito restrita de fornecedores não é só arriscado, como também é o princípio da ruína e da queda de muitas operações globais. Do dia para a noite, digamos assim, as relações internacionais podem mudar e, com isso, diversas cadeias de suprimento serão atingidas. Contar com uma boa diversificação é imprescindível na redução de riscos, permitindo que exista um movimento de alternância sempre que necessário.

Por fim, as parcerias estratégicas. Estas são pilares de todo negócio na atualidade. A partir delas, é possível construir uma rede de cooperação, promover trocas e aprendizados, além de fortalecer laços com quem pode fornecer recursos em momentos-chave do negócio. E quando o assunto é parceria estratégica, deve-se romper com o orgulho, pois a liderança de mercado não é um assento definitivo, é preciso conquistá-la diariamente, com ações sinérgicas e bem planejadas.

Eu poderia falar ainda sobre a importância da redução de custos ou sobre o olhar que se deve ter para a sustentabilidade. Poderia abordar a integração entre pessoas, tecnologias, processos e muito mais. A inteligência artificial, por exemplo, tem conquistado a atenção dos executivos, assim como a IoT e a análise de dados. No entanto, deixarei esses assuntos para os meus próximos artigos.

Por ora, espero ter ajudado você a pensar de maneira estratégica no gerenciamento de riscos da cadeia de suprimentos, pois esse é o primeiro passo para garantir a resiliência do seu negócio.

Ricardo Costa
VP Sênior na Proudfoot Brasil

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